|
Breve
Historial do CAO
O Centro de Artes Orientais (CAO) nasceu em 1995, com a intenção de
abrir novas perspectivas para os praticantes de Karate-do Shotokai da
Escola Murakami de Almada.
O grupo Murakami nascera duas décadas antes, nessa cidade, mais
precisamente em 1973 no Judo Clube de Almada e, pouco depois,
autonomizava-se passando para a Rua da Cerca, em Almada Velha, junto ao
Palácio da Cerca.
Já nessa altura havia surgido esporadicamente a intenção de ter
outras Artes a praticar no local, mas a rivalidade entre os vários
estilos de artes marciais era tão acentuada na altura que não era
fácil praticar várias Artes Marciais num mesmo centro.
Quando os praticantes da Rua da Cerca decidiram abraçar o método do
Mestre Hiruma a Escola Murakami de Almada passou para o Clube Recreativo
Piedense (CRP). Nessa altura ela era apenas constituída por dois
alunos: · José Patrão, um jovem cinto negro e · Jorge Costa, um
ainda mais jovem cinto branco
Para além da intuição comum de que o caminho certo seria seguir o
Mestre Murakami, apesar da opinião da maioria, outro factor os unia -
uma perspectiva eclética (alargada e abrangente) das Artes Marciais.
Ambos liam tudo o que apanhavam à mão sobre o tema "Arte e
Cultura Orientais" tomando como eixo central o chamado Budo, ou
Artes Marciais; nessa altura, porém, essa literatura não era tão
abundante como hoje.
Com o tempo, praticantes da "Rua da Cerca", como o Firmino
Ascensão e o Alfredo Chambel, que tinham ficado algo hesitantes com a
atitude de abandono do caminho do Mestre Murakami, decidiam retomar o
percurso anterior. Outros praticantes que estavam afastados da escola
por motivos de estudo ou profissionais, como o Francisco Carvalho,
regressaram a Almada e decidiram continuar com a linha do Mestre
Murakami.
Em breve a Escola Murakami de Almada começou a assumir um carácter
de pólo de convergência de pessoas com uma "certa
perspectiva" do Karate-do e das Artes Marciais - uma perspectiva
simultaneamente tradicionalista - recusando a competição desportiva
para abraçar os preceitos éticos e formais do Budo - mas inovadora, ao
procurar complementar a prática do Karate-do Shotokai, com a
investigação teórica (livros, revistas, discussões, etc.) e prática
(aulas de Yoga, Aikido, Kung Fu, etc.).
Com o tempo o número de praticantes começou a aumentar, chegando ao
Dojo nomes como Paulo Bandurra, Henrique Tavares, Nuno Santos, António
Gonçalves, Henrique Brito, Vanda Pedroso, Pedro Ramalho, Pedro
Cerqueira e muitos outros.
Uma vez que a ideia inicial da escola - essa estranha mistura de
tradição e inovação - perpassava todo o grupo, houve necessidade de
institucionalizar.
Três marcos determinantes se podem apontar nesse processo de
afirmação de uma certa corrente de opinião que, anos mais tarde,
haveria de dar origem ao CAO: · O primeiro foi, em 1987, a peça
teatral inspirada nas Artes Marciais Orientais, apresentada pela Escola
de Almada a toda a Associação Shotokai de Portugal; · O segundo foi a
realização das primeiras "Jornadas da Primavera"; · O
terceiro foi a criação de uma classe autónoma de Karate Infantil.
Qualquer uma dessas iniciativas, que haveria de chocar os espíritos
mais conservadores dentro da ASP, tinha já a marca indelével do futuro
Centro de Artes Orientais - Oficina e Embrião.
A peça teatral constituiu-se como Oficina de mentalidades. Com ela a
ASP descobriu a irreverência e a criatividade. As Jornadas foram o
Embrião de um processo de abertura ao exterior da perspectiva
Tradicional das Artes Marciais, em confronto com a corrente prevalecente
que, ontem como hoje, tentava torná-las mais um ramo da instituição
desportiva. Finalmente, a classe de Karate Infantil veio trazer ao CRP,
primeiro como observadoras, depois como praticantes, pessoas como a Rosa
Brites e a Xana, cujo percurso começara igualmente na Rua da Cerca.
Como se vê, o processo de criação em 1995 do Centro de Artes
Orientais, não foi um acto isolado mas sim o resultado de um processo
de reflexão/acção que começara 20 anos antes na Rua da Cerca.
Mas o que se passou com o CAO desde a sua criação?
A partir de 1995 o CAO gerou-se a partir de um projecto
inicial: a criação de um espaço físico para a sua Sede.
Três factos concorreram para isso:
- Ter-se tornado insuportável
por mais tempo a utilização do pavilhão central do CRP, visto que o
Futebol de Salão queria a todo o custo monopolizar esse espaço,
- A
experiência de projectos e obras do José Patrão, que entretanto
integrara a Direcção do Clube,
- O patrocínio da Câmara Municipal
de Almada e o apoio da Fundação Oriente
O Carlos Mendes, com a sua experiência no domínio estatutário e
administrativo, deu um contributo fundamental para a formalização
legal do CAO tratando, num tempo recorde, do registo do nome, da
criação dos estatutos e da realização da escritura.
Derrubou-se então, no pavilhão do CRP, uma bancada de anfiteatro
que nunca servira para nada e construiu-se um dojo bastante amplo.
Completando então uma etapa há muito planeada o Jorge Costa passou a
leccionar no CAO e o José Patrão pôde, finalmente, passar do CRP para
o Dojo Murakami da
Caparica, que construíra com a ajuda do pai e de
muitos alunos, ao longo de 15 anos.
Finalmente com um espaço físico próprio, o CAO arrancou com um
conjunto de actividades para além do Karate-do, dentre as quais se
destaca: Yoga, Tai Chi
Chuan, Shiatsu, Ikebana, Origami,
Curso de
Língua Japonesa, exposições de carácter cultural (como pintura,
fotografia, lanternas chinesas), caminhadas ao ar-livre e explorações
de natureza, debates e palestras, etc.
Mas de todas as actividades do CAO no período 1995-2000, uma houve
porém que o tornou mais mediático e conhecido - a página Web.
O CAO foi, neste período o resultado do esforço de um conjunto
muito grande de pessoas, mas é justo que se diga que a liderança nesse
período cabe especialmente, para além dos já citados a duas pessoas:
o Nuno Figueiras Santos e o Miguel Castro Caldas.
Voltar ao topo
Principais
Projectos em Curso no CAO
Mas o que é hoje, agora, o CAO?
Num processo de desenvolvimento natural o CAO acabou por
se destacar do espaço físico do CRP, em parte porque esta colectividade
vinha manifestando uma hostilidade crescente perante o carácter cultural
do CAO - "os doidos do 1º andar" - em benefício do
omnipresente Futebol de Salão.
A pouco e pouco o Centro físico e as actividades
começaram a deslocar-se para o Dojo Murakami da
Caparica.
Esse processo originou algum abrandamento nas actividades
culturais: · em parte porque o carácter mais reservado, menos público,
do Dojo assim obrigava, em parte porque a saída do CAO do centro da
cidade para a periferia o tornou menos acessível.
Mas a força da ideia inicial do CAO era grande e assim
chegámos à realidade do dia de hoje da qual passaria a destacar os
factos mais visíveis:
Cinco Dojo's principais funcionam neste momento na esfera
de influência do CAO:
-
No Dojo Murakami da
Caparica: funcionam duas
disciplinas com carácter permanente: Karate-do (classe básica e
classe avançada, tendo o José Patrão e o Nuno
Figueiras
respectivamente como professores) e Kendo (tendo como professor o
Jorge Costa); realizam-se, com
carácter esporádico, cursos de Reiki (tendo como professora
a Sra. Luísa Peres) coordenados pelo João Geada; existe um grupo de trabalho liderado pelo João
Geada, com a colaboração da Sandra Coelho, do José Morgado e do
Pedro Nobre que se ocupa da manutenção e renovação (física) do
Dojo Murakami e respectiva envolvente, através de projectos de Feng
Shui como o Jardim Zen, o Aquário, ou a criação de estantes e
locais de arrumação;
-
No Dojo do Clube Recreativo Piedense funcionam duas disciplinas com
carácter permanente: Karate-do classe infantil (orientada pela
Alexandra Silva) e classe de adultos orientada pelo José Patrão);
-
Na Escola Murakami
do Feijó (neste momento a funcionar no
Dojo Sede da ASP) funcionam com
carácter permanente duas classes de Karate-do (classe infantil e
classe básica orientadas respectivamente pela Rosa Brites e pela
Alexandra Silva);
-
No Dojo Sede da ASP
funciona uma classe de Karate-do orientado pelo Pedro Gueifão e uma
classe de Yoga orientada pelo professor Carlos Carvalho.
-
A Escola Murakami de Mafra funciona desde há muitos
anos orientada pelo Henrique Brito.
-
Finalmente, funciona ainda no CAO com carácter
permanente (no Dojo Sede da ASP), um Curso Básico de
Japonês, que foi ministrado durante 10 anos pelo saudoso Professor Michiomi Hakamada
e que agora é ministrado pelo Professor Shinji Iwaoka;
-
Além disso, em estabelecimentos de ensino vários
(Centros Paroquiais, Escolas Primárias e Infantários), funcionam
ainda mais 5 escolas de Karate Infantil orientadas pela Alexandra
Silva e por outros alunos seus assistentes, como é o caso da
Isabel Ferreira.
O José Morgado continua profundamente empenhado em
realizar, de forma paciente e eficaz, a contabilidade analítica do CAO;
O Carlos Mendes está sempre atento e empenhado, aos
aspectos de funcionamento estatutário e administrativo;
O Nuno Figueiras trata das estatísticas dos praticantes e da
organização de eventos como as Jornadas, as Actividades de Ar-livre, uma
página Internet mais viva e interactiva, a criação de uma biblioteca /
mediateca, etc.
O Carlos Vaz Vignolo tem transmitido a sua
experiência na área da gestão para a definição de propósitos,
alinhamento de visão e clarificação de objectivos, para valorização
da maior riqueza de qualquer organização - as pessoas;
O Jorge Costa interessado em promover, se possível ainda
melhor a imagem do CAO num público-alvo bem determinado, através de
projectos de técnicas de marketing e merchandising;
O Miguel Caldas esteve envolvido num projecto
editorial que começou com a criação de um dicionário de expressões
correntes japonês-inglês, mas que se alargou para a publicação da Revista
Mon, edição de livros (como o livro europeu sobre a Vida e Obra
do Mestre Murakami) cassetes e CD-ROM's; recentemente (2009) o CAO fez um
acordo com a NCreatures que lhe permite continuar a publicar Online a
Revista Mon como número especial da Revista
Waribashi.
O José Patrão
assegura desde 1998 a publicação contínua da Revista
Surya Online com números publicados em cada trimestre;
Outras pessoas mais interessadas em contactos de carácter
mais institucional, como o Luís Quilhó e o António Gnçalves,
esforçam-se no sentido de obter promoções e patrocínios;
Pessoas como a Sandra Coelho ocupam-se da investigação
no domínio das artes clássicas orientais como o teatro clássico
japonês (Kabuki, o No) e as artes decorativas, com destaque para os
jardins Zen;
Há ainda pessoas como o Pedro Nobre e o José Morgado
interessadas em praticar e promover a divulgação da agricultura
biológica nas terras anexas ao Dojo;
Finalmente o CAO vem congregando pessoas de outras artes
como o Kendo, o Iaido, o Judo, o Aikido, o Kyudo, (com base na
experiência do José Patrão
no âmbito da Formação de
instrutores e na capacidade burocrática do Carlos Mendes) e criou
a Associação Portuguesa de Agentes de Ensino de Budo (APAE-BUDO), que
permitirá prestar uma adequada formação aos Agentes de Ensino destas
Artes no âmbito da legislação em vigor.
E mais e mais...
(última actualização Outubro de 2009)
José Patrão
Voltar ao topo |